Pequeno-almoço com ingredientes escolhidos a dedo: o que entra e o que nunca entra

O pequeno-almoço no Gandum (porque o dia começa muito antes do café)

No Gandum, o pequeno-almoço não é um serviço incluído. É um momento fundacional. Não porque seja abundante — embora o seja — mas porque diz muito sobre a forma como olhamos para a comida, para o território e para o cuidado com quem aqui fica. Antes de qualquer plano, reunião, passeio ou descanso, há uma mesa pensada para começar bem. Não depressa. Não no automático. Mas com atenção.

Uma mesa organizada para escolher, não para impressionar

O pequeno-almoço no Gandum não aparece como um excesso indistinto. Os sabores e texturas estão organizados por categorias, quase como um mapa simples que ajuda a escolher de acordo com o apetite, o ritmo e o corpo naquele dia.

Há quem comece com pão quente e manteiga.

Há quem prefira fruta fresca e algo leve.

Há quem precise de proteína.

Há quem queira um pouco de tudo.

Aqui, ninguém é empurrado para uma ideia de “pequeno-almoço certo”. Cada pessoa constrói o seu.

Pão como base, não como acessório

O pão tem um lugar central. Não como acompanhamento, mas como base.

Trabalhamos com pão de fermentação natural, feito por padeiros artesanais da região (Mó de Cima, do Chef Carlos Teixeira em Monsaraz), com tempo, farinha e paciência. É um pão pensado para durar o dia inteiro — e não apenas para encher o prato.

Com manteiga caseira, compotas feitas no Gandum ou simplesmente com azeite, o pão aqui volta a ser o que sempre foi: essencial.

Fruta e legumes no seu tempo

A fruta muda com as estações. E isso sente-se.

Melancia no verão, figos no fim do verão, romãs e citrinos quando chegam, sempre que possível vindos do Gandum ou de produtores próximos. Não há esforço em “manter tudo o ano inteiro”. Há uma escolha consciente de aceitar o calendário natural.

Os legumes também entram na mesa. Tomate ralado com azeite, simples, fresco, sem truques. Para quem gosta de começar o dia com algo mais salgado e leve.

Lácteos, alternativas vegetais e escolhas informadas

Há iogurtes naturais, incluindo versões vegetais, e iogurte de vaca proveniente de Elvas. Há queijos artesanais de pequenos produtores do Alentejo, escolhidos mais pela honestidade do produto do que pela fama.

O leite é biológico dos Açores, acompanhado por alternativas vegetais como o leite de aveia. Não porque “tem de haver tudo”, mas porque há pessoas diferentes à mesa — e isso merece ser respeitado.

Proteína sem espetáculo

Os ovos vêm das galinhas do Gandum, criadas ao ar livre, alimentadas com restos da horta e ração biológica. São preparados no momento, da forma que cada pessoa prefere.

Há também charcutaria local, feita na região, sem aditivos desnecessários. Pouca quantidade, boa origem, uso consciente.

Aqui, proteína não é excesso. É equilíbrio.

Doçura sem açúcar escondido

No Gandum, adoçar não é industrializar.

As compotas são feitas na casa, adoçadas apenas com mel biológico produzido em parceria com o Mel Pirata, em Montemor-o-Novo, das nossas próprias abelhas. Há também um creme caseiro de alfarroba e avelã, indulgente sem ser artificial, e manteigas de frutos secos preparadas na cozinha, sem conservantes.

Tudo é doce o suficiente para dar prazer — e simples o suficiente para não pesar.

Cereais e sementes com intenção

As granolas e cereais integrais são feitos no Gandum, com ingredientes naturais, sementes, cacau cru, chia e linhaça. Não são “superfoods” de catálogo. São alimentos pensados para sustentar, não para prometer milagres.

Café, chá e o tempo de beber

O café é orgânico. O chá é Gorreana, dos Açores, o mais antigo da Europa. Há também infusões frescas colhidas nos canteiros do Gandum: lúcia-lima, hortelã, alecrim. A água aparece aromatizada, simples, refrescante. Aqui, até as bebidas são pensadas como parte do ritmo — não como estímulo imediato.

Proveniência clara, sem discurso vago

No Gandum, a proveniência não é uma palavra bonita. É uma lista concreta. Há coisas produzidas aqui. Há coisas que vêm de perto. Há coisas que vêm de mais longe — e isso é assumido. Sabemos de onde vêm os ovos, o mel, os queijos, o pão, o café, o chá. Sabemos quantos quilómetros fazem. E sabemos que nem tudo pode ser local — mas tudo pode ser escolhido com critério.

Transparência não é perfeição. É honestidade.

Começar o dia como se deve

O pequeno-almoço no Gandum não tenta ser memorável no sentido espetacular. Tenta ser justo. Com o corpo, com o território e com o tempo. É uma refeição que prepara o dia, sem o ocupar todo. Que cuida, sem pesar. Que alimenta, sem distrair.

E isso, para nós, é o melhor começo possível.

Anterior
Anterior

Como o Gandum está a regenerar solos, água e paisagem em Montemor-o-Novo

Próximo
Próximo

Um hotel quase autónomo: água, energia e limites assumidos